Estudos
apresentam a caracterização cinemática e cinética da marcha de indivíduos
obesos. Envolveu instrumentos como Pedar-Novel, para recolha de dados da
pressão plantar;
Plataforma Bertec 4060-10, para dados de Força de Reacção
ao Solo (FRS), Câmaras digitais Sony, 50Hz para ângulos do pé; IPAQ para dados
de atividade física.
Os resultados
mostraram pelos valores de FRS e respectivos tempos de ocorrência que
indivíduos obesos, quando comparados com indivíduos eutróficos, exercem forças
superiores ocasionando uma sobrecarga mecânica ao nível do sistema músculo-esquelético
A teoria biomecânica sugere que a obesidade leva ao
aumento das pressões e das forças sobre as articulações, resultando em
activação dos mecanismos de degradação da cartilagem articular (Calvete, 2004,
Radominski, 1998).
Sabe-se que o transporte de uma sobrecarga
consubstancia-se num stress biomecânico aumentado sobre os tecidos e sistemas
do corpo humano, especialmente sobre os do sistema locomotor e da manutenção
postural. Aqueles que estão sujeitos a sobrecarga de forma transitória, ou
possivelmente intermitente, poderão encontrar soluções de compensação
relativamente eficazes, mas mesmo assim não definitivas, para as situações
particulares de carga (Dowling, 2001, Fabris, 2006, Hills, 2001).
A FRS durante a marcha apresenta dois picos, o primeiro
relacionado à fase de ataque ao solo (Fz1) e o segundo á fase de propulsão
(Fz2).
Neste estudo foi possível observar que os indivíduos
obesos apresentam valores superiores nas componentes de FRS quando comparados
com indivíduos com peso normal. Os valores encontrados, nos obesos, para o
primeiro pico de Fz1 (2,2± 0,08) é estatisticamente significativo (p= 0,00), no
entanto os valores do tempo de apoio não apresentam qualquer diferença
significativa (p = 0,60). Deste achado é possível inferir que estes indivíduos
na fase de ataque ao solo necessitam de realizar uma força superior, quando
comparados com o grupo controlo. No respeitante á fase de propulsão
encontram-se diferenças estatisticas tanto no que diz respeita ao valor de Fz2
(1,23±0,08) como ao tempo de apoio (p=o, o1 e p=0,01, respectivamente).
A componente ântero-posterior (Fy) apresenta também
diferenças significativas entre os dois grupos, p=0,09. Realçando que os grupos
de indivíduos obesos demoram mais tempo na fase de travagem (p= 0,00).
Nos estudos, quando avaliadas as pressões plantares,
verificou-se que o pé dos indivíduos obesos apresentava valores mais altos no
retropé na fase de ataque ao solo, enquanto na fase de propulsão essas pressões
eram mais altas na zona do antepé (metatarsos e hálux).
CINEMÁTICA
Ao nivel cinemático foi analisado os valores do ângulo
relativo entre a perna e o pé, descrito segundo Winter (Winter, 1991).
Os valores médios observados na fase de ataque ao solo
são da ordem de 87º desvio padrão igual a 6.8. Na fase de propulsão os valores
foram em média de 86.2º; desvio padrão de 4.2.
Os resultados médios do IPAQ mostram que os indivíduos
desta amostra podem ser considerados indivíduos com um nível de AF moderada
(600MET) e o grupo controlo como A.F. intensa (3000 MET).
A marcha é uma das atividades que se recomenda no
tratamento da obesidade podendo constituir de facto uma atividade difícil de
executar se atendermos á sobrecarga que acarreta para o sistema
musculo-esquelético.Sabe-se que a obesidade é um dos factores que altera os
padrões da marcha, devido ás adaptações necessárias para suportar a sobrecarga
a que as articulações estão sujeitas (Calvete, 2004).
O estudo da FRS constitui uma das mais importantes
grandezas para a análise biomecânica do movimento da marcha humana.Esta
componente mostrou ter um padrão constante e repetitivo apesar da variabilidade
que a actividade da marcha apresenta (Sacco, 2001).
Da análise dos dados da FRS e respectivos tempos de
ocorrência foi possível observar que neste estudo os indivíduos obesos, quando
comparados com indivíduos de peso normal, exercem forças de valor superior
ocasionando uma sobrecarga mecânica ao nível do sistema músculo-esquelético.
Os valores normais para os picos de FRS, são da ordem de
10 a 20% do peso corporal e de Fy são de cerca de 20%, quando normalizado ao
peso corporal (Winter, 1991).
Na amostra em estudo os resultados observados apontam que
as componentes de FRS são superiores quando comparado ao grupo controle. Estes
dados vêm de encontro aos encontrados em outros estudos que envolveram o
transporte de cargas como mochilas e em grávidas. De facto o aumento do peso
corporal ocasiona valores mais elevados nas componentes de FRS. (Winter, 1991
Lopes, 2000; Santos, 2005, Machado,L,2010).
Relativamente ao tempo de apoio este não diferiu
significativamente quando comparamos os dois grupos, não sendo mais elevados
nos individuos com maior peso. Contudo este parâmetro não vem de encontro aos
estudos realizados em crianças obesas, em que os tempos na fase de apoio tendem
a ser a maiores do que os encontrados para crianças de peso normal (Mota e
Link, 2001).
Uma das possiveis explicações para este achado poderá ser
de que estes sujeitos adoptaram como estratégia a aplicação de valores mais
elevados de força, tanto na fase de ataque ao solo, como na de propulsão
compensando deste modo os valores do tempo de apoio.
O conhecimento da distribuição plantar é essencial para
se detectar em que as zonas do pé a sobrecarga á maior (McPoil e Orlin,
2000;Dowling, 2004).
No respeitante aos valores de pressão plantar, em
indivíduos obesos, nem sempre os vários estudos são consonantes. Se por um lado
alguns referem que os valores das pressões plantares são mais elevados outros
apontam que os valores são mais baixos. A justificação destes valores tem a ver
com o achatamento do arco plantar ocasionando uma maior área para distribuição
das pressões (Teh, 2005, Filippin, 2008).
Contudo na grande maioria dos estudos realizados
verifica-se um aumento nos valores de pressão plantar em individuod obesos,
quando comparados com individuos de peso normativo (Gravante, 2003, Hills,
2001).
Diferentes investigações mostram que em indivíduos com
sobrepeso as zonas do pé que estão mais sobrecarregadas são o retropé na fase
de ataque ao solo e o antepé (cabeça dos metatarsos) na fase de propulsão.
(Hills, 2001, Dreup, 2003). O mesmo foi verificado na amostra em estudo, em que
os valores encontrados tanto no retropé como no mediopé são substancialmente
mais elevados do que o grupo controle (Birtane, 2004).
No respeitante aos ângulos do tornozelo desenvolvidos por
esta amostra observa-se que apresentam valores médios mais elevados do que
indivíduos não obesos.
Estudos feitos com crianças que transportam mochilas e em
grávidas evidenciam resultados semelhantes aos encontrados neste estudo (Rocha,
2008, Santos 2005).
No entanto a literatura refere que estes ângulos em
indivíduos eutróficos são de 55ºa 60ªtanto na fase de ataque ao solo como da
propulsão (Moriguchi, 2007).
Do presente estudo é possível concluir que a marcha dos
indivíduos obesos apresenta características diferentes dos indivíduos não
obesos.
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